Ansiedade e Enem: como lidar com a pressão e cuidar da saúde emocional na reta final de preparação
Especialista em Psicologia da UnP orienta estudantes sobre sono, rotina de estudos e estratégias para controlar o nervosismo antes e durante as provas
Faltando poucos dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será aplicado nos dias 1º e 8 de novembro, estudantes intensificam a preparação para as provas. Além da revisão dos conteúdos, o período exige atenção à saúde emocional, já que a cobrança por resultados, o medo de não alcançar a nota desejada e as incertezas sobre o futuro profissional podem aumentar a ansiedade.
O psicólogo Washington Sales, professor e coordenador do curso de Psicologia da Universidade Potiguar (UnP), integrante do maior e mais inovador ecossistema de educação de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, explica como reconhecer os sinais de alerta e adotar estratégias para enfrentar esse período com mais equilíbrio.
Segundo o docente, a intensidade emocional vivenciada pelos estudantes está relacionada à maneira como as avaliações são percebidas ao longo da vida escolar. “Fomos ensinados que as avaliações têm mais uma intenção de punição do que de avaliar um conhecimento adquirido. Então, o nosso cérebro passa a associar momentos como esses a situações aversivas e até mesmo de perigo”, comenta.
A pressão por desempenho e as expectativas em relação à escolha profissional também podem agravar esse cenário. Para o professor, a ansiedade costuma estar ligada à antecipação de situações futuras, especialmente quando o estudante não tem certeza do que vai acontecer.
“A ansiedade quase sempre vai estar ligada à criação de cenários futuros, e é justamente nesse momento que entra o prejuízo. Como o cérebro não sabe lidar muito bem com incertezas, ele acaba se perdendo, e uma série de sentimentos e pensamentos negativos acaba tomando conta da mente do jovem”, acrescenta.
Comparações podem aumentar a pressão sobre os estudantes
A exposição a conteúdos sobre aprovação e longas jornadas de estudo nas redes sociais também pode alimentar a insegurança. Na avaliação do psicólogo, comparar a própria preparação com a de outros candidatos nem sempre contribui para o processo.
“O nosso cérebro adora padrões, categorização e comparação. Então, não é saudável para o estudante ficar consumindo conteúdo que, naquele momento, não será importante para ele. Evitar esses tipos de conteúdo é uma boa dica para que seu cérebro possa se organizar em sua jornada”, afirma.
O apoio da família é outro fator importante. Em vez de reforçar cobranças ou comparar o jovem com irmãos, amigos e outros estudantes, pais e responsáveis podem ajudar oferecendo compreensão, acolhimento e espaço para o diálogo.
“Estudar é uma das tarefas mais difíceis que temos enquanto seres humanos, então procurar desenvolver um ambiente compreensivo e acolhedor em momentos como esse é muito importante. Se o estudante não conseguir de primeira, não é o fim. Tudo é um aprendizado”, destaca Washington.
Sono e descanso também fazem parte da preparação
Na tentativa de revisar todo o conteúdo antes do exame, alguns alunos reduzem as horas de sono e deixam o descanso em segundo plano. Essa escolha, porém, pode comprometer justamente o desempenho que desejam alcançar. Washington destaca que o sono contribui para a consolidação dos conhecimentos na memória e para a recuperação das informações durante a prova.
“O sono de qualidade é um comportamento importante que, quase sempre, em momentos como esses, é sacrificado para se ter um melhor rendimento ou ‘bater’ todo o conteúdo previsto, mas é um engano pensar assim. Dormir bem faz com que a nossa mente descanse e que os conteúdos sejam consolidados para que possamos recuperá-los quando necessário”, ressalta.
Além do descanso, o docente recomenda manter uma rotina organizada de estudos e uma alimentação adequada. A combinação desses cuidados contribui para uma preparação mais consistente e ajuda a reduzir a sensação de insegurança diante do exame.
Respiração pode ajudar nos momentos de ansiedade
Para lidar com a ansiedade quando ela se intensifica, uma das estratégias indicadas pelo professor é prestar atenção à respiração. Ele sugere a técnica conhecida como respiração em caixa, que consiste em inspirar, segurar o ar e expirar em intervalos regulares. Uma possibilidade é realizar cada etapa contando até seis, respeitando o próprio conforto e sem forçar a respiração.
“Um dos pontos críticos em momentos de ansiedade é a nossa respiração. Uma estratégia importante é a gente buscar controlar a respiração na hora do pico. Esse controle vai ajudar a oxigenar o cérebro, fazendo com que ele se organize melhor”, orienta.
A recomendação é praticar a técnica antes do dia da prova, em momentos tranquilos, para que ela seja familiar quando necessário. Se o estudante sentir dificuldade de concentração ou tiver a sensação de que deu um branco durante o exame, também pode tentar desacelerar a respiração e observar os pensamentos negativos sem tratá-los como fatos.
“Um ‘pensamento’ é apenas um pensamento, não é um fato concreto. É importante buscar substituí-los, lembrando dos momentos de estudo e de organização para aquele momento”, aconselha o docente.
Planejamento ajuda a reduzir a insegurança na véspera
Na véspera do Enem, a orientação é priorizar uma boa noite de sono, manter uma alimentação adequada e conferir as informações sobre o local e o horário das provas. Conhecer previamente o trajeto, quando possível, também pode evitar imprevistos e diminuir a preocupação no dia do exame.
“Procure dormir bem, se alimentar bem e buscar as informações sobre o local e o horário das provas. Se possível, passe no local antes para saber onde fica e quanto tempo leva para chegar lá. O cérebro gosta muito dessas coisas e se sente mais seguro”, reforça.
Para ele, também é importante compreender o exame como uma etapa da vida, sem atribuir a um único resultado a definição de todo o futuro. A preparação exige dedicação, mas o cuidado emocional, o descanso e o apoio de pessoas próximas também devem fazer parte dessa jornada.


